TwitCasas.com - Casas à distância de um tweet - Uma nova aplicação twitter Portuguesa
24 Agosto, 2009, 21:16
Quem usa o Twitter frequentemente, sabe muito bem que é uma espécie vício, doença, vírus. A internet transfigura-se e parece tornar-se mais pequena e mais compacta mas em que tudo faz sentido, tudo se liga. Toda a internet parece estar ligada, vídeos, fotos, emails, palavras, caracteres, ao contrário do que era antes de surgir o pássaro azul. E este vírus faz com que tenhamos vontade de partilhar, de mostrar, de pôr os nossos amigos, familiares a tweetar. Tal como todos os vírus, também este quer arranjar um novo hóspede e alastrar. Outro dos sintomas é querer não só usar o Twitter mas contribuir, desenvolver. E não é preciso ser-se programador ou engenheiro para se construir e pôr ideias em práctica. O twitter estimula a criatividade e surgem aplicações para todos os gostos. A sua base minimalista e simples do twitter jamais deixaria antever este efeito. Os videos tornam-se espontâneos (twitvid.com), a partilha de ficheiros fica mesmo ali ao lado (filesocial.com), o cartão de visitas torna-se uma tag (twtbizcard.com), a música da internet torna-se numa só (blip.fm), as compras podem ser feitas (twitshop.com), os pagamentos também (twitpay.me), há jogos (playspymaster.com) e até se pode procurar por trabalho (tweetmyjobs.com). E poderia continuar porque existem mais umas centenas de aplicações talvez até ainda mais supreendentes que estas. O twitportugal lista muitas delas aqui. E algumas delas são portuguesas e desenvolvidas por portugueses em que destaco o TweetaPorSMS.com ou o twitica.net. E eu tinha de juntar algo a este lote português.
Como um infectado confesso deste vírus que sou tinha apenas que deixar fluir a vontade de desenvolver mais uma aplicação twitter. Então influenciado pelo ramo imobiliário que convive com a minha actual profissão o resultado era tão simples como somar 1+1: Twitter + Casas = TwitCasas (TwitCasas.com). Todas as casas à distância de um tweet. Ou seja, além de tudo o que já é possível fazer no twitter, vender ou encontrar casa para comprar ou arrendar também é possível e nunca foi tão fácil. Como ? Basta um tweet. Onde mais uma vez tudo fica mais à mão, mais compacto num só sitio, fácil de seguir (encontrar), fácil de inserir (anunciar), através de tweets. Se acredito que é possivel comprar uma casa, um carro pelo twitter ? Claro que sim. Se já o é na internet então mais o será no twitter.
@Jorg3 Bioline: Licenciado em Gestão de Sistema de Informação, entusiasta em Internet/Web, Programador de Profissão, ainda com tempo livre para tocar e cantar numa garagem em almada com a banda aos fins de semana.
Que têm em comum o Twitter e Michael Jackson ? Nada. Quer dizer... ambos são fenómenos mundiais, fora isso pouco mais ou nada mesmo terão em comum.
Esta semana o Co-fudandor do Twitter, Biz Stone esteve em Portugal para um conferência e questionado, tal como já o foi várias vezes acerca da venda do twitter, afirmou: "Vender o Twitter ? Ainda agora começámos". Isto pelo fenómeno que o Twitter se tem vindo a tornar tornando alvo de ofertas milionárias que de gigantes entre os quais o Google. Os fundadores do twitter demonstram ambição e sonham ainda que o twitter pode por exemplo fazer frente mesmo ao Google, de qualquer forma que ainda não sabem como. Mas estarão este tipos loucos ? Se calhar não...
Ontem ao fim da noite enquanto navegava e soube pelo Twitter que Michael Jackson tinha sofrido um ataque cardíaco e morrido em sua casa, senti o poder o twitter. O twitter bloqueou devido ao excesso de tráfego. E surpreendentemente dei me por mim indeciso entre ligar a televisão na CNN ou SkyNews, ficar na internet a navegar nos sites informação ou ficar simplesmente no twitter fazendo refresh (F5) seguindo os follows de que já tinha. Optei por escolher a 3 opções em simultâneo. O resultado foi surpreendente. Os desenvolvimentos da noticia foram chegando sempre primeiro pelo tweets que recebia no twitter. A informação chegava pelo twitter ainda em estado bruto, quase por confirmar, quase como que eu estivesse na rua e passasse uma pessoa por mim e me dissesse o que estava a passar no fundo da rua ao virar da esquina. Tão bruta que alguma nem chegava à tv (devido às circunstâncias que se compreendem) como o caso duma última foto de Michael ligado a tubos, a ser transportado na maca em que se vê claramente a sua cara. Aos poucos aquilo que aparecia em tweets por amigos meus, utilizadores normais como eu que iam fazendo retweets de outros utilizadores, ia sendo confirmado pelas cadeias televisivas. Como uma teia que se alastra, como uma explosão nuclear que propaga a informação e chega em poucos caracteres.
Agora... será que os fundadores do twitter são loucos em pensar que poderão com o twitter fazer frente ao Google ??? Pessoalmente, acho que um pouco de loucura nunca fez mal a ninguém.
Nunca poderiam vender algo que ainda não sabem qual o seu verdadeiro potencial. E o twitter apesar de ser um projecto simplista e com alguns anos já de existência parece ser uma incógnita, com potencial para muito mais do que é actualmente. Por isso recusar milhões que dariam para estes fundadores do twitter e os seus descendentes viverem tranquilamente o resto da sua vida através da venda dum projecto minimalista e simples talvez não seja tão incompreensível e ridículo.
Sair da casa dos pais é sempre um marco na vida. E se por um lado é um momento muito desejado e que se anseia mal se entra na adolescência, esta passagem para a independência porque passei recentemente (e documentei quase diariamente no twitter) também tem aquelas pequenas coisas que jamais foram pensadas na pressa de sair de casa. Afinal a roupa que vai para lavar passa por todo um processo mais longo que as bananas que vêm da malásia. Além disso as bananas não precisam de ser passadas a ferro. Dá-se valor às mais pequenas coisas como o copo de água que bebo à refeição. Bebo-o até ao fim pois "auguinha" faz bem e apesar de barato, o garrafão de água, sempre é preciso de subir com ele pelas escadas a cima. Para se ter a comidinha na mesa há todo um plano a médio prazo de compra. Tem que se prever (e as mulheres nistos são exímias pela sua capacidade de gestão) quando o racionamento doméstico vai acabar. A escolha das compras é todo um outro mundo com manhas e truques. Isto é apenas uma amostra de que tudo o que é bom tem um custo associado mas que é compensado e que, apesar do bolso estar mais vazio, nos faz sentir mais valorizados. Bem, vou aproveitar que o dia está de chuva e fresquinho, para passar a ferro as camisas...
O efeito das novas tecnologias na forma como vivemos, como sentimos o quotidiano é cada vez mais evidente. Ainda não cheguei aos 30 anos de vida mas posso afirmar que os receios, preocupações e forma como vemos o mundo vão se tornando cada vez mais globais. Sinto-o eu próprio. Pequenas coisas podem tornar-se gigantescas. Um desaforo num pequeno bairro pode criar uma revolução nacional. Um espirro numa pequena povoação pode criar histeria em todo o globo. Antigamente, alguém viu que a religião e a criação da instituição Igreja poderia ser uma forma de conseguir controlar as massas, criar uma consciência moral e organização em sociedade. Hoje as novas tecnologias são 1000x mais eficazes. Aquilo que era ficção há uns tempos atrás em que todos teríamos chips implantados não é longe do que vivemos mas duma forma indirecta. Nenhum de nós pode afirmar que não vivemos condicionados e vivemos completamente livres. E que melhor forma de condicionar, moldar opiniões, desenvolver consciências cada vez mais uniformes, únicas e globais do que através de dispositivos que estão sempre connosco e nós próprios nos alimentamos deles porque queremos (telemóveis, internet, pc, tv). E isto é mau ? Não necessariamente. Onde quero chegar? A lado nenhum. A quem quero chegar ? A ninguém. Mas pensar na nossa existência ou reflectir um pouco ao final do dia para variar não faz mal a ninguém.
Informação e aquilo que se faz com ela é o verdadeiro poder. Não duvido que este é o principio mais importante na forma como vivemos. Não são os chips ou media que são um meio, não são os discursos melódicos ou olhos de quem lidera.
Imagens de um incêndio na Zona da Quinta do Rouxinol perto de Corroios e Miratejo (no concelho do Seixal) que deflagra numa escola Secundária desactivada, Escola Secundária Moinho de Maré mais conhecida por "Celeiro" onde andei do 7º ao 9º ano. Ao lado tem uma Escola Preparatória e uma primária. Muitas memórias tenho eu daquela escola que foi desactivada a 2 anos.
Actualização:
"Em declarações à Lusa, fonte dos bombeiros afirmou que as causas do incêndio, que levaram à destruição parcial de dois pavilhões em madeira desta escola, que se encontra desactivada há dois anos, são ainda desconhecidas, mas que é possível que a situação tenha derivado de uma tentativa de fogo posto. (..) Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Corroios, Eduardo Rosa, que se dirigiu ao local, o incêndio era "previsível", uma vez que a escola, estando abandonada desde há dois anos, ter-se-á tornado "num local propício para brincadeiras com fogueiras e até para a existência de bicharada e prostituição"." in Público. A notícia completa em: aqui
Zeitgeist, é mais um documentário sobre a sociedade e o nosso mundo, passado, presente e futuro, que nos faz pensar. No meio de algumas coisas que podem ser fantasia algo se aproveita com toda a certeza. Pode ser visto em Português aqui.
Esta semana em Portugal ficou marcada pelo mediatismo dum assalto ao BES em Lisboa emitido em directo para a sala dos Portugueses em horário nobre com desfecho feliz (mérito das forças policiais mas também sorte que é decisiva nestes casos) mas ao tiro e com sangue. Nós, portugueses não estamos habituados a isto. Daí que de comando na mão fiquei indeciso se queria continuar a ver emissão em directo e presenciar uma morte em directo no meu quarto, quando os refêns eram filmados com uma arma no pescoço. Repito, não estamos habituados a isto, nem eu, nem os operadores de câmara, nem os jornalistas que ponderaram a meio da emissão pará-la "porque não se sentiam à vontade para tal" (depois voltaram com uma vista mais tapada).
Os comentários no dia seguinte que ouvi, foram os esperados. Alguns pouco simpáticos para os brasileiros, que os assaltantes deveriam ter morrido todos, que as forças especiais fazem nos sentir orgulhosos de ser portugueses, que foi um sinal claro para quem quiser fazer assaltos pensar antes duas vezes. Talvez eu seja um pouco do contra e tente ver as coisas sempre por outro do lado do que os outros vêm. Mas se concordo com algumas opiniões outras nem por isso. Para mim pouco de bom se retira do episódio. Discordo com o facto de ser uma lição ou de ficarmos aliviados por ser um sinal para os criminosos pois na verdade subimos apenas mais um degrau neste tipo de acontecimentos, em que a escalada do grau de violência tem tendência para subir. Se antes não estavamos habituados, com esta "lição" na próxima vez os assaltantes não é por isso que vão ter mais medo porque o risco e a sua mentalidade não é como a nossa, caimos no erro ao pensar assim. Sabemos lá nós o que vai na cabeça daquelas pessoas. Passar fome, ter uma infância "fodida", sem educação, sem pais, sem atenção, sem nenhuma perspectiva de futuro, a conviver com o crime e morte todos os dias como em certas partes do Brasil. E não é preciso ser-se brasileiro para isso. Esta "lição" de pouco bom tem para os assaltantes, parece-me que o efeito de atenuação do crime será tão reduzido que para nós nas nossas mentinhas com um mundo diferente nos possamos sentir bem. Por outro lado poderão estar mais preparados e os desfechos poderão ser outros. É uma aprendizagem para os dois lados, assaltantes e policia e nisto ninguém ganha. É uma escalada, sempre a subir e o topo é sempre mais feio. Disto tudo a única coisa boa é o desfecho que foi muito feliz, deste acontecimento em particular. Era a única forma das forças policiais agirem ? Sim. E agiram bem.
Estava já a algum tempo a tentar ver o filme brasileiro "Tropa de Elite" que retrata as forças especiais policiais brasileiras (BOPE) que são conhecidas por actuarem em constante guerra nas favelas contra os traficantes. E neste fim de semana aproveitei para ver. Apaixonado por filmes o mais realistas possíveis se possíveis com histórias verídicas este era obrigatório para mim já que é baseado num livro dum ex-capitão destas forças especiais, Rodrido Pimentel. Não chega ao nível de "Cidade de Deus" mas convive claramente com ele sendo por isso um bom filme de se ver a retratar a realidade duma parte do Brasil em que o tráfico de droga funciona como se duma empresa se tratasse e que é a única saída para muitos que ou morrem à fome ou optam por este modo de vida com armas de guerra no quotidiano.
Apanhando a boleia acabei por ver um documentário do mesmo realizador, José Padilha, que foi o documentário que o levou a fazer "Tropa de Elite".
Documentário de José Padilha "Onibus 174"
Imagens de um filme com actores baseado na história
O documentário chama-se Ónibus 174 e trata do que aconteceu a anos atrás em que um homem faz reféns num autocarro em que o fim é trágico e não aconselhável a pessoais mais sensíveis. No fim o assaltante sai do autocarro com uma refém colada a ele, e um policia dispara junto a ele tentando acertar mas falha e acerta na cabeça da refém. Como se este erro não bastasse a policia ao transportar o assaltante no carro da policia mata Sandro por asfixia. O documentário aborda toda a situação que foi filmada em directo com todas as imagens, e com testemunhos dos reféns que lá estiveram, pessoas próximas de Sandro mostrando o seu percurso desde pequeno, que viu a mãe a se degolada aos 6 anos por assaltantes do café onde trabalhava, e que depois foge de casa transformando-se num menino de rua que vê o seu grupo de meninos ser metralhado pela policia na chacina da candelária. Documentário só aconselhável a quem tem estómago forte e se quer deprimir um pouco com uma realidade triste. E acho que com isto tudo se por um lado percebemos um pouco mais certas coisas, outras nos confundem ainda mais...
Cuidado que este post contém alguns micróbios de uma gripe que não mata mas mói. O Sapo continua apostar nos conteúdos para Internet. Não são ideias que eu (ou possivelmente outros) já estivesse pensado mas são inovadoras ou não fossem eles a aplicá-las e têm mérito por isso. A verdade é que em Portugal mais ninguém tem os meios, capacidade de mobilização, canais de tráfego como eles. Logo o Sapo pode dar-se ao luxo de poder investir em coisas interessantes como foi a primeira série nacional feita totalmente para a internet que é uma espécie de morangos com açucar através da sua plataforma de vídeos (versao pt do youtube). Não tenho os dados se foi ou está a ser um sucesso. Pessoalmente é uma coisa que parece interessante mas não me move, nem nunca vi um episódio (que sao alguns 5 min) até ao fim. A verdade é que o Youtube revolucionou a Internet e é actualmente o maior hot spot para quem navega. O Sapo com os vídeos tem tentado explorar esta área. Os vídeos dos Incorrígiveis com pequenos skecths e stand up comedy foram outros conteúdos que me parecem interessantes e até o Bruno Nogueira de lá sair eu era um visitante ocasional. Julgo que o Sapo junta a vontade de criar conteúdos à vontade daqueles que se querem promover e ter protagonismo já que as receitas não devem ser avultadas para remuneração de artistas de televisão. Agora estão prestes a lançar o primeiro virtual reality show baseado na maior rede social em Portugal o Hi5 e usando claro está a plataforma de vídeos para a sua difusão, com algumas parcerias como com a Ford em que o prémio final é um carro. Se vai ter impacto ao nível da internet ? É relativo. Mas acho que ainda assim que os custos que são reduzidos na produção destes conteúdos vale apena o risco.
Já agora aproveito para lamentar o serviço do Sapo ao difundir vídeos pornográficos e mais que isso difundi-los na sua homepage e publicitando-os na secção em que diz que filmes estão a ser vistos no momento. Não sei se apenas os publicitam apenas a horas da noite pois ao visitar a home dos videos.sapo ontem por volta das 2h da manhã para ver um vídeo de futebol fiquei chocado por ao ver conteúdos pornográficos e de adultos em destaque num site generalista como o sapo na sua homepage dos videos. A verdade é que a qualquer hora do dia os vídeos estão lá e isso mancha a marca. Por isso Sapito aqui vai uma sugestão: criem mais um canal pornográfico para esses conteúdos, até podem criar séries e realty shows virtuais pornográficos e tenho a certeza que vão fazer uns trocos valentes. Fica a ideia. Ah agradeço depois o envio da minha percentagem que bem estou a precisar e comparado com os vossos lucros não vai ser nada para vocês.
Vivemos na era das mentiras mais do que nunca. E caminhamos para esse extremo. A todos os níveis. Senão vejamos... O aspecto mais descarado e se calhar mais vísivel é a nivel político. Mesmo para se fazer "o melhor" é mais importante parecer que se quer fazer aquilo que todos querem que seja feito e não o que vai mesmo ser feito. Passa-se com Sócrates, com Bush, agora com Obama e todos os outros. É necessário subir ou manter os impostos, aumentar o contigente no Afeganistão ou ou invadir outro país ? Ok. Mas a mensagem a passar não pode ser essa. O que comemos é outro aspecto. Cada vez mais o que comemos é desprovido dos nutrientes que necessitamos, ao invés disso seja em Big Macs ou mesmo na fruta bonita e brilhante que compramos ou no prato bem enfeitado no restaurante estamos muito provavelmente a comer pior que em certas aldeias onde se come um prato cheio de batatas e couves ou uma sopa dura como a pedra. Mesmo nos Reality Shows que querem nos dar ideia que o que estamos a ver são emoções a sério ou nas notícias nos telejornais todos os dias nada é o que parece que estamos a ver. Quem edita, quem escolhe, quem gere estes elementos com simples toques do põe aqui, ou omite aqui pode alterar do branco para o preto, e o que é uma verdade pode ser mentira e vice versa.
No fim a questão é para onde caminhamos. Será que massivamente não somos cada vez mais encaminhados para onde nos querem que nos encaminhemos ? No fundo acaba por ser uma consequencia da globalização. Comemos massivamente cada vez mais o mesmo, vestimos cada vez mais todos da mesma forma, as culturas fundem-se progressivamente seja em música, cinema ou outra. Se antigamente os povos eram menos interligados, devido aos meios de hoje será que não são também mais fácil agora serem conduzidos como um pastor conduz o seu rebanho ?
Viagem no tempo na TV: Guerra Colonial e Tempos de Salazar
01 Novembro, 2007, 11:52
A televisão foi sempre coisa que me passou um pouco ao lado desde há muitos anos. No entanto dado que nos últimos tempos passo por razões profissionais o dia todo à frente do computador é me díficil chegar a casa e à noite repetir a dose. Daí que no tempo breve antes do dormir a TV tem o seu momento para tentar brilhar para mim. É complicado para ela mas eu também estou já sensível naquela parte do dia e aberto para ela.
Daí que existe alguns programas que embora não me tornem a minha agenda nocturna rígida e perca um ou outro, tento acompanhar. O meu interesse por histórias reais como os tempos da guerra colonial faz me ver o documentário que a RTP1 apresenta às terças, "A Guerra" (que bate audiências do documentário mais visto desde 2000, noticia aqui). Eu e a minha geração desconhece tudo aquilo, temos apenas conhecimento de coisas soltas que muitas delas não percebemos. Daí que ao ver esse documentário de autoria de Joaquim Furtado, consiga interligar algumas dessas coisas. Depois mais que isso sinto a guerra na pele pois é algo que não toca apenas o nosso país mas a nossa própria família, temos mesmo alguém na nossa casa (pai) que lá esteve mas que pouco fala disso. Não sei se é da idade, da maturidade ou responsabilidade mas se estes temas simplesmente não me diziam nada agora assumem outro valor e olho para o meu pai, ou outros homens que lá estiveram com outro respeito, pois apenas um delay de alguns anos e podia lá estar eu. É verdade que hoje esta geração tem outras lutas mas não aquela em que se vivia no desconhecido e a ver as cabeças de colegas espetadas em paus pelo caminho a trilhar. Além disso tudo isto ajuda a compreender certos conflitos sociais em Portugal e faz me ainda mais olhar para o povo das ex-colónias como um povo irmão.
Outro programa, na mesma senda, é a série Portuguesa "Conta-me como foi", exibida também pela RTP1 aos Domingos à noite, que conta a história duma família nos tempos de Salazar. O fascínio é o mesmo que já descrevi, ver o passado que está tão próximo de nós e nesta em particular ver pormenores da roupa, cenários, carros do tempo. É tão difícil ter filmes de histórias do nosso país e não apenas histórias que poucos nos dizem como são as americanas, e é tão bom. Depois argumentos que giram a volta de crianças sempre me agradaram, e esta é narrada pelo filho dessa família que hoje é adulta. Talvez tudo isto seja adaptado de um livro. Desconheço.
Não percebo porque parece que se esconde esta parte da história de Portugal. Boa ou má esconder não é a solução decerto e pode mesmo ter consequências negativas no futuro.
Certo é, que afinal, nem tudo o que passa na TV ou Cinema em português é mau e orientado para o dinheiro fácil. Cada um é que dá importância ao que quer.
Na passada quarta-feira 17, num dos zaps da noite caí no canal 2 da RTP e surpreendentemente deliciei-me com um documentário simples mas tão puro e nu de um bairro português, o Bairro da Rainha D. Leonor, habitação social municipal localizado nas freguesias de Foz do Douro e Lordelo do Ouro, no Porto. Só hoje me informei um pouco mais do que vi e soube que faz parte duma programação especial do Festival Internacional de Cinema Documental - DocLisboa2007 que está decorrer bem perto do meu trabalho, na Culturgest.
Chama-se "À Flor da Pele", de autoria de Catarina Mourão, e conta a história de um grupo de crianças dos 8 aos 14 anos de um bairro social do Porto, onde muitos vivem no limiar da pobreza, mas se esbate na alegria também vivida aquando do Euro2004. Fala de um bairro mas eu vou mais longe e acho que estava não a ver um bairro mas sim um país, Portugal. A simplicidade, a monotonia, os relatos banais honesto das crianças o quotidiano de um bairro que tem apesar de tudo a sua vida faz deste uma obra de arte e valeu bem apenas os minutos que perdi a vê-lo. É fácil nos identificarmos com os relatos das crianças, lembrando-nos a nossa infância, o grupo de crianças onde há sempre um que o gajo que é gozado por todos e leva porrada, os neutros e os gajos que têm a mania e são respeitados e temidos. Elementos divinais como o pai que chateado manda a criança sair de ao pé dele quando está a ver a final do Euro2004, ou os planos do prédio em que se vê todos os movimentos das habitantes nas varandas e dentro de casa pelas portas e janelas nos 3 andares. Os meus parabéns à autora. Quem não viu talvez o veja no futuro, e quem puder que visite este festival que deve ter este e outros documentários que valem bem a pena e bem mais mesmo que qualquer filme de hollywood.
"Todos os olhos estavam postos em cima dos estádios, dos jogadores e dos desafios. Decidi desviar ligeiramente o meu olhar, e perceber o que se estava a passar ao lado dos estádios, fora das televisões: rapazes e raparigas a crescer, a lutar, crianças a parecerem adultos, adultos a comportarem-se como crianças, um país mergulhado na recessão e apatia à espera da vitória da selecção Portuguesa para aconchegar o ego??mas no fim nada mudou e a vida continuou?" - Catarina Mourão que filmou as brincadeiras de jovens num quotidiano difícil, aligeirado pelo entusiasmo do futebol.
O tema do último programa da RTP1 Prós e Contras prometia, pelo menos para mim já que era uma área que me diz algo, "Sociedade em Rede". Tinha como convidados representantes de empresas como a Microsoft, PT, Cisco e muitas outras mas também pequenas empresas portuguesas de grande sucesso (que mal se formaram se internacionalizaram e só assim teria de ser) e casos de novos empreendedores que merecem o nosso respeito pelo bom exemplo. Além disso tinha responsáveis do governo e administração local nesta área. Os condimentos pareciam interessantes para uma discussão séria da sociedade de informação em Portugal. Mas para meu grande espanto, limitou-se a descrever casos de sucesso, os governantes fazerem um pouco de politica pelo que já se fez, mostrar numeros de ranking e as empresas publicitarem e gabarem-se dos seus produtos. Num programa que se chama Prós e Contras estava a espera de haver também a parte dos "contras" mesmo apesar de se apregoar que o nosso país teve uma evolução nesta área (também como as coisas estavam a evolução só tinha de ser positiva). Mas não, quando finalmente Paulo Querido interviu falando que nem tudo era um mar de rosas, representando de certa forma o utilizador comum, aqueles que estavam do outro lado da caixa mágica, abordando a web 2.0, com uma boa participação também do director da Cisco, a moderadora (que coitada não percebia do tema mas também não pode saber de tudo), cortou e seguiu o guião pré estipulado (e desliguei a TV), focando o programa na promoção de pessoas, empresas e marcas, não debatendo os problemas graves da nossa sociedade de informação ligada a administração publica por exemplo.
Há bem pouco tempo, vivi na primeira pessoa um pouco da verdadeira realidade da nossa sociedade de informação. Por exemplo o site www.netemprego.gov.pt que foi tão publicitado quando foi lançado. Como eu tinha acabado o curso e andava a apalpar mercado decidi que não tinha nada perder e quem sabe aproveitar programas como inovjovem e necessitei de fazer uma simples inscrição nesse site mas infelizmente de nada me valeu pois nunca me activaram o serviço e para me inscrever no centro de emprego tive mesmo que afinal me deslocar ao próprio centro de emprego. A colaboradora do centro queixava-se que afinal não costumavam ir activar as inscrições online pois não era práctico e apenas a directora do mesmo sabia usar aquilo. Foi portanto imprimir em papel a informação digital que eu tinha digitado no site aquando da inscrição para ela a submeter ali.
Orgulha-me saber que os indicadores demonstram que Portugal está bem posicionado no que respeita a esta temática, mas é necessário e é possível continuar a fazer melhor pois há muito a fazer especialmente em relação aos processos de sistema de informação na administração local e governo não apresentando projectos de showoff que depois na práctica não funcionam.
Comprar casa: a mim também um pequeno T2 ou mesmo T1 chegava
21 Setembro, 2007, 21:57
As músicas impingidas e a que somos obrigados a ouvir em publicidade normalmente ficam no ouvido e a do novo reclame do BCP do Ricardo Azevedo (ex vocalista do EZspecial) não é excepção. Já agora na mesma onda deixo aqui os melhores sites para encontrar casa, comprar e vender:
Por mais que queiramos, por mais campanhas se façam, contra racismo ou outras, nunca teremos todos os mesmos direitos, e isso é garantido.
Até na desgraça uns têm mais sorte que outros, têm outro estatuto, outra nacionalidade. Que dizer da pobre família inglesa que foi vítima do infortúnio de perder a filha (caso Maddie)? Estamos todos a torcer para que a história acabe bem pois talvez não haja maior dor do que uns pais perderem os filhos mas é interessante reparar como estes casos são conduzidos. Primeiro, mal ou bem tudo isto deu a ideia que certas crianças de certas nacionalidades têm mais hipóteses de serem encontradas e que a sua vida tem mais valor que outras. Depois ressaltou o chauvinismo de certos países que já não é novidade, a atitude de superioridade de julgar países com menos expressão mundial como Portugal. Quer através da forma como insultam uma nação, na forma como através dos seus representantes políticos conseguem mesmo alterar a forma como funcionam as autoridades portuguesas (ao que parece coagidas a tomar certas atitudes como foi anunciar o perfil de um homem depois de movimentações do futuro primeiro ministro britânico).
Depois há a velha história das aparências. Que continua a ser uma preciosa ajuda para se vender algo, mesmo na desgraça. Um produto com a mesma qualidade que outros, mas mais bonito vende sempre mais. Isto misturado com o interesse de o ser humano gostar de viver emoções mesmo que sejam negativas desde que não os afectem a si próprios dando uma certa noção de conforto, resulta num produto comercial que as pessoas compram, na indústria em que se tornou o universo da comunicação social. Obrigando assim os pais da criança desaparecida agirem como no mundo empresarial organizando um Staff competente com uma estratégia de marketing em que o fim é encontrar a criança mas para tal têm que alimentar o sistema e é este ciclo que alguns podem alimentar mais por uma razão ou por outra determina a maior probabilidade de sorte de uns ou azar de outros.
A evolução dos media e televisão em particular tem se traduzido cada vez mais em reality shows e quando falo de reality shows não são big brothers mas sim todos aquele tipos de programas que não se limitam à ficção. Daí também canais como o Reality TV que integram os planos de TV por cabo serem apostas recentes e que têm mercado. A verdade também é que a nova geração e público em geral tem tendência a querer mais, e por isso pede programas, filmes que nos afectem, que nos crie sentimentos e não nos deixem na indiferença como já ficamos em relação a conteúdos que já nos cansam e não nos surpreendem. Tal como o vírus da gripe que vai se tornando cada vez mais resistente e mais forte com a evolução dos fármacos e vacinas. Devo confessar que sou uma dessas pessoas. Também gosto de ver de vez em quando algo que fuja aquilo que estamos habituados a ver, claro que dentro dos limites do que é aceitável mas pode roçar os limites e é esse equilíbrio que tem de ser exigível. O programa "Vai tudo abaixo" da Sic Radical tem um pouco disso. Através de sketchs na rua, colocando a pessoa normal que circula na rua que pode ser nosso amigo ou familiar, como um participante involuntário. O telespectador acha piada pois é fácil achar piada dos outros. Apesar do humor non-sense que abunda neste programa que pode até cair na indecência moral ou até ferir a sensibilidade de alguns, aborda por um lado também temáticas com alguma pertinência e engraçados como os dois camaradas tirados dos anos 70 que fazem da vida uma "luta política" pelos direitos dos trabalhadores, o tóxico-dependente que procura também na rua formas de angariar fundos para o seu vício, o cão salazar e o seu dono que é português mas também é negro mas que demonstram ideias racistas que mandam todos os estrangeiros para fora de Portugal. Aqui fica um cheirinho.